Resenha: Rewrite (anime)

Resenha: Rewrite (anime)

“Um dia, eu percebi que não tinha nada. Achei que os meus bolsos estavam cheios de felicidade, mas na verdade estavam vazios. Isso não deveria ser uma surpresa, já que nunca me esforcei para preenchê-los.”Tennouji Kotarou
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A história de Rewrite se passa na cidade de Kazamatsuri, onde projetos de arborização a fez uma cidade cheias de árvores e flores bem grandes, da mesma forma que outras cidades contém grandes edifícios. Porém, apesar da maior parte da cidade aparentar ser rural, também há muitos elementos tradicionais da cidade. Mesmo com um enredo moderno, Kazamatsuri ainda passa um estranho senso de nostalgia e mistério.
É aqui que Tennouji Kotarou vive. Um simples estudante do ensino médio…com uma estranha habilidade. Aqui ele irá investigar mistérios sobrenaturais com seus amigos.
A primeira parte da história se passa na escola, consistindo de interações com os personagens e cenas comuns, e muitas vezes engraçadas, do dia a dia. A segunda parte, no entanto, é mais séria e emocional, com grandes mistérios girando em volta do enredo.

 

Woah, a adaptação de Rewrite foi anunciada! Conseguem imaginar? Ver o anúncio como título de um link…tamanha felicidade! E assim, você abre para ler a notícia completa…a adaptação será feita pelo estúdio 8bits, duas temporadas. E é assim que qualquer possível excitação vai por água abaixo.

O 8bits foi um estúdio responsável por alguns títulos relativamente conhecidos, entretanto nenhum deles foi considerado algo além de ‘medíocre’. E no meio desses nomes, há aquele que foi usado diretamente como comparação por suas similaridades logo durante o anúncio: Grisaia no Kajitsu.
Grisaia, um Visual Novel ao ser adaptado em um anime, não foi nada além de um bolo queimado derivado de uma receita mal planejada através de vários ingredientes duvidosos. 50 horas de jogatina de 5 rotas diferentes se tornariam 13 episódios, e o término dessas rotas “desbloquearia” a “rota verdadeira”, sendo essa a segunda temporada. E assim, eventualmente, essa mesma receita foi reusada em Rewrite. Grisaia foi um verdadeiro antecessor espiritual.

Rewrite como um anime é perfeitamente assistível. Entretanto, se prepare, pois ele não é gentil com quem não tem nenhum conhecimento prévio do universo apresentado. Embora possa ser considerado bom por conseguir apresentar as coisas através de situações naturais e não de diálogos expositivos, este também acaba sendo seu maior erro, onde esse mesmo universo não dispõe de suficiente espaço para se apresentar.

Rewrite começa com um forte primeiro episódio de 40 minutos, não só conseguindo introduzir todos os personagens de forma sutil, mas também deixando bem claro como o nosso protagonista andará de mãos dadas com o tema sobrenatural. Ele nos mostra bem o ambiente cínico que deveríamos esperar, e nos mostra a estranha garota de fitas, aquilo que definitivamente intrigaria as pessoas.
Infelizmente, esse mesmo episódio foi o que deixou claro para os fãs originais como seria o ritmo dessa adaptação, e como a comparação feita com Grisaia pelos fãs seria provado verdade.
A adaptação seguiu fielmente o enredo do jogo até o episódio 7, porém com algumas cenas originais adicionadas ao longo do caminho. E assim, a partir do episódio 8, essas mesmas cenas originais se tornaram um enredo diferente do jogo original.
Esses 7 primeiros episódios tentam nos mostrar as rotas da Shizuru e da Lucia, e os episódios originais têm elementos das rotas da Kotori, Akane e Chihaya, com adição de uma rota original da Kagari conseguinte das cenas originais. No final, as rotas adaptadas não só acabaram sendo irrelevantes para o enredo por terem sido espremidas, como também não conseguiram dar o brilho às garotas. Como podem imaginar, no final das contas, acabar gostando de alguma das garotas ficou sendo oito oitenta.

E sabe o que é interessante? Mesmo com todas essas falhas, mesmo com tanta coisa comprimida em tão pouco espaço, o roteiro e a direção não foram, por assim dizer, ruins. Conseguem imaginar a cara do roteirista ao ouvir a decisão da produção, e o trabalho que precisaria fazer? Ele certamente não falhou em escolher as cenas e conversas certas para o anime, mesmo com várias cenas acontecendo fora de lugar. Não podemos culpar o roteirista pelo resultado, pelo contrário, deveríamos é elogiá-lo por ainda ter conseguido soltar algo “aceitável” de uma decisão absurda que ele não tinha controle. Ele definitivamente conseguiu preservar a comédia sem degradar o ambiente, conseguiu preservar a personalidade e essência de todas as heroínas, e como também conseguiu encaixar bem o episódio da Shizuru por causa de seu tema (sendo positivo para o personagem dela, não para o enredo). Eu pessoalmente considero isso algo impressionante.

Arte & Animação é outro caso interessante. Aquele design da Key de personagens com olhos grandes e corpos redondos certamente foi mantido na versão anime, de um jeito que não ficasse estranho como animação, e ainda de forma consistente (diferente de outros animes da Key). A escolha da paleta de cores foi uma excelente adição ao ambiente cínico de um jeito similar a Madoka Magica, mas também deu aquela impressão de ser algo barato, algo plastificado. Assim, essas cores plastificadas, junto à animação ruim, foi o que deu a sensação de Rewrite ser um anime barato. Uma iluminação literalmente falha, CGIs com texturas completamente diferentes do 2D, e qualquer harmonização era inexistente. Ao menos posso garantir que todas as aberturas e encerramentos de Rewrite são bons, e que a trilha sonora te marca, fazendo jus à composição de Jun Maeda.

No fim acabei me divertindo com o anime de qualquer jeito, mas não é algo que recomendaria para alguém. Se não pretende jogar o Visual Novel e quer assistir, vá em frente, mas assista sem expectativas. Se você já jogou e quer ver a adaptação, será oito oitenta para você, achando um verdadeiro pedaço de lixo, ou pelo menos tentando curtir ver seus personagens animados.

Enredo: 4.5/10
Personagens: 6/10
Arte: 6/10
Animação: 4/10
Música: 7/10
Divertimento: 6/10
Nota final: 5.5/10